Como funciona

Tudo o que a ferramenta faz está descrito aqui. Se algo parecer injusto com algum candidato ou partido, o problema está no método, e o método é público para ser criticado.

1. Os oito temas

Cada tema é um eixo com dois polos descritos de forma neutra. A posição vai de -2 (totalmente no polo A) a +2 (totalmente no polo B). Nenhum polo é tratado como certo ou errado.

2. O seu perfil

São 46 afirmações: 40 gerais, cinco por tema, mais um bloco de 6 sobre decisões que cabem ao governo e à Assembleia do estado em que você vota — os 27 estados têm bloco próprio, e ele conta só para governador e deputado estadual. Você nunca responde o bloco de outro estado. Cada resposta vale de -2 (discordo totalmente) a +2 (concordo totalmente). A média das respostas de um tema, orientada para o polo correspondente, é a sua posição naquele tema. Depois você diz quanto cada tema pesa (1, 2 ou 3). Cada afirmação traz uma linha "Na prática" em linguagem simples e uma lupa com explicação neutra, fonte e link. As afirmações foram escolhidas para dividir opiniões (itens com que quase todo mundo concorda não ajudam a distinguir) e para cada tema ter frases nos dois sentidos, evitando o viés de concordar com tudo.

3. A posição de cada candidato

Usamos, nesta ordem de preferência:

  1. Votações nominais (Câmara dos Deputados 2019-2026 e Senado 2019-2026). Selecionamos as votações de plenário com divisão real entre os parlamentares ou com orientação do governo diferente da oposição, deixando de fora procedimentos e votações unânimes. Cada votação selecionada foi classificada por tema, direção do voto "Sim" e peso (1 a 3), com a ajuda de inteligência artificial e revisão humana por amostragem. A posição do candidato no tema é a média ponderada dos votos dele. Votos "Obstrução" contam como "Não"; abstenções e ausências não contam. Voto de mandato encerrado conta menos e vem marcado. Quem foi deputado só entre 2019 e 2022 tem centenas de votos registrados, e eles são ato próprio dela — mas dizem menos sobre onde a pessoa está hoje do que um voto desta legislatura. Então cada voto antigo entra com 70% do peso, o que faz quem votou nos dois períodos ser descrito principalmente pelo recente; e quando a maior parte da posição num tema vem do mandato encerrado, ela aparece com o selo "mandato de 2019-2022" e vale 85% na afinidade, entre os projetos de autoria (90%) e o indício de poucas votações (75%). Cada votação continua listada com a data, para você conferir de quando é. Entram também votações nominais de comissões com divisão real (Constituição e Justiça, Educação e outras), e cada votação pode ter um tema secundário, que conta com metade do peso: o piso da enfermagem, por exemplo, é trabalho e também saúde.
  2. Plano de governo registrado no TSE (candidatos a presidente e governador), lido e classificado tema a tema, sempre com trechos citados como evidência. Vale o que está escrito, não o que se sabe do candidato fora do documento. Nos planos de presidente e de governador de São Paulo o texto foi lido na íntegra. Nos planos dos demais estados, que somam 24 milhões de caracteres, a leitura usou a abertura do documento mais os trechos em volta das palavras de cada tema, recortados automaticamente; cada citação foi conferida por programa contra o PDF original, e o tema fica sem valor quando o documento não trata dele.
  3. Posição do partido: para quem não tem mandato nem plano, mostramos como votaram os deputados federais do mesmo partido, medindo sua distância até cada um deles (calculada pelos mesmos votos). É o partido, não a pessoa, e quando a bancada se divide não escolhemos um lado por ela. Se o partido não tem deputados federais, usamos o programa oficial do partido (site do partido ou TSE), lido e classificado nos mesmos temas, com as citações no perfil do candidato. Nos dois casos é uma estimativa, sempre marcada como tal, com metade do peso na afinidade e sem entrar no ranking principal.

Posição declarada pelo candidato. Toda candidatura registrada no TSE pode responder o mesmo questionário do eleitor. O TSE não publica e-mail de candidato — nenhum, nas 20.005 fichas —, então não há como convidar de ofício: a campanha pede o link na página "Sou candidato" e informa um e-mail, e antes de enviar conferimos que o pedido vem mesmo dela, comparando com o site e as redes que ela própria registrou no TSE. A resposta vira a posição dela nos temas respondidos e aparece no perfil marcada como declarado pelo candidato. É a palavra da pessoa, não um fato conferido: por isso ela nunca sobrepõe voto registrado nem plano entregue — só preenche tema em que não existe ato — e vale 65% no cálculo: abaixo do indício de poucas votações (75%), porque dizer não é fazer, e acima da estimativa pelo partido (50%), porque é sobre a própria pessoa. Quem respondeu sem ter mandato continua sem o selo de histórico verificado. O texto livre que a candidatura escreve ao responder não é publicado: o site mostra atos e respostas a perguntas iguais para todos, nunca texto de campanha — isso seria propaganda hospedada em site de terceiro e quebraria a isonomia entre as candidaturas.

Deputados estaduais: as assembleias quase não fazem votação nominal em plenário. Para quem tem mandato numa das casas que já conseguimos ler, a posição por tema é inferida dos projetos de lei de autoria da pessoa, lidos e classificados com a mesma regra dos planos de governo, sempre com os projetos citados como evidência. Só recebe valor o tema com pelo menos dois projetos independentes na mesma direção ou um projeto emblemático, e o extremo da escala exige pelo menos três. Os demais temas ficam sem posição. Essa fonte vale 90% no cálculo (votos valem 100%).

Duas decisões importam aqui, e as duas derrubam número em vez de inflar:

Depois da classificação, um segundo leitor tenta derrubar cada posição atribuída, e um terceiro aplica só o que se sustentou. Por fim, um programa procura no documento original cada projeto citado como evidência: citação que não existe no dossiê reprova o lote inteiro.

São Paulo foi a primeira casa lida, por um caminho antigo que não tinha o segundo leitor. Em 16/9/2026 a leitura de SP foi refeita do zero com a mesma regra das demais: todas as casas passam hoje pelo mesmo processo, sem exceção.

Nas casas ainda não lidas, a disputa de deputado estadual aparece só com a estimativa pelo partido, e a página do resultado avisa isso.

O quanto a posição do partido erra sobre a pessoa

A maior parte das candidaturas nunca votou em plenário nem entregou plano de governo. Sobre elas não existe ato próprio, e o que mostramos é como os deputados do partido votaram. Medimos o tamanho do erro disso dentro dos nossos próprios dados e publicamos aqui, porque quem lê tem direito de saber.

Como medimos: pegamos os 632 deputados que votaram em plenário nesta legislatura e têm posição própria calculada pelo voto — são mais que as 513 cadeiras porque entram suplentes que assumiram e substituições ao longo do mandato — e testamos se a bancada do partido sem aquele deputado acertaria a posição dele. A média do partido usa só a legislatura atual, porque ela responde "como esta bancada vota hoje"; o voto de 2019-2022 conta para a posição própria de quem votou, que é ato da pessoa, não retrato do partido. É a mesma situação de uma candidatura nova: a bancada existe, a pessoa não está nela. A conta está no programa 20-medir-partido.mjs, e é ele que gera os números abaixo.

Duas consequências no cálculo, para que o número na tela não valha mais do que merece:

Partidos sem bancada: qual documento foi lido

4. A afinidade

Para cada tema em que o candidato tem posição, calculamos a distância até a sua posição (de 0 a 4) e ponderamos pelo peso que você deu. Afinidade = 100% menos a distância média ponderada. Dois ajustes de honestidade: (a) medimos que, no Congresso, os cinco temas econômico-sociais votam juntos e os três de valores votam juntos, então cada bloco entra com peso base igual, para o bloco maior não dominar só por ter mais temas; (b) uma posição só é "verificada" com pelo menos 5 votações no tema ou com o plano de governo; com menos votos ela é "indício" e vale 75%; a estimativa pelo partido, seja pela média da bancada, seja pelo programa oficial, vale 50%. O ranking mostra primeiro quem tem posição verificada em pelo menos três temas, depois quem tem histórico parcial, depois estimativas.

5. O que a ferramenta não faz

Pesquisas eleitorais

Em algumas disputas o site mostra, ao lado do nome, o percentual da pesquisa registrada mais recente, sempre com o instituto, o período, o número de entrevistas, a margem de erro e o número de registro no TSE, além do link para a divulgação original. Isso é obrigação de quem divulga pesquisa, e é também o que permite ao leitor conferir o número em vez de acreditar nele.

A pesquisa não entra no cálculo de afinidade em nenhum momento, nem altera a ordem da lista. Ela existe porque o eleitor que quer evitar voto sem chance pediria essa informação de qualquer forma, e fica atrás de um filtro que só liga se a pessoa ligar. Pesquisa é retrato do momento, com margem de erro, e não previsão de resultado.

6. Privacidade

Suas respostas ficam apenas no seu navegador (sessionStorage) e são apagadas quando você fecha a aba. Nenhuma resposta, resultado ou identificação é enviada a qualquer servidor. O site não usa cookies de rastreamento nem ferramentas de análise que identifiquem o visitante. Opinião política é dado pessoal sensível pela LGPD, e a forma mais segura de proteger é não coletar.

7. Fontes e atualização

8. Limitações conhecidas