Como funciona
Tudo o que a ferramenta faz está descrito aqui. Se algo parecer injusto com algum candidato ou partido, o problema está no método, e o método é público para ser criticado.
1. Os oito temas
Cada tema é um eixo com dois polos descritos de forma neutra. A posição vai de -2 (totalmente no polo A) a +2 (totalmente no polo B). Nenhum polo é tratado como certo ou errado.
2. O seu perfil
São 40 afirmações gerais, cinco por tema, mais 6 sobre São Paulo que valem só para governador e deputado estadual de quem vota nesse estado (nos demais estados o bloco local ainda não existe, e a comparação usa só as 40 gerais). Cada resposta vale de -2 (discordo totalmente) a +2 (concordo totalmente). A média das respostas de um tema, orientada para o polo correspondente, é a sua posição naquele tema. Depois você diz quanto cada tema pesa (1, 2 ou 3). Cada afirmação traz uma linha "Na prática" em linguagem simples e uma lupa com explicação neutra, fonte e link. As afirmações foram escolhidas para dividir opiniões (itens com que quase todo mundo concorda não ajudam a distinguir) e para cada tema ter frases nos dois sentidos, evitando o viés de concordar com tudo.
3. A posição de cada candidato
Usamos, nesta ordem de preferência:
- Votações nominais (Câmara dos Deputados 2023-2026 e Senado 2019-2026). Selecionamos as votações de plenário com divisão real entre os parlamentares ou com orientação do governo diferente da oposição, deixando de fora procedimentos e votações unânimes. Cada votação selecionada foi classificada por tema, direção do voto "Sim" e peso (1 a 3), com a ajuda de inteligência artificial e revisão humana por amostragem. A posição do candidato no tema é a média ponderada dos votos dele. Votos "Obstrução" contam como "Não"; abstenções e ausências não contam. Entram também votações nominais de comissões com divisão real (Constituição e Justiça, Educação e outras), e cada votação pode ter um tema secundário, que conta com metade do peso: o piso da enfermagem, por exemplo, é trabalho e também saúde.
- Plano de governo registrado no TSE (candidatos a presidente e governador). O texto integral foi lido e classificado tema a tema, sempre com trechos citados como evidência. Vale o que está escrito, não o que se sabe do candidato fora do documento.
- Posição do partido: para quem não tem mandato nem plano, mostramos como votaram os deputados federais do mesmo partido, medindo sua distância até cada um deles (calculada pelos mesmos votos). É o partido, não a pessoa, e quando a bancada se divide não escolhemos um lado por ela. Se o partido não tem deputados federais, usamos o programa oficial do partido (site do partido ou TSE), lido e classificado nos mesmos temas, com as citações no perfil do candidato. Nos dois casos é uma estimativa, sempre marcada como tal, com metade do peso na afinidade e sem entrar no ranking principal.
Deputados estaduais: a Alesp quase não faz votação nominal em plenário. Para os 94 deputados em exercício, a posição por tema é inferida dos projetos de lei de autoria deles (2023-2026), lidos e classificados com a mesma regra dos planos de governo, sempre com os projetos citados como evidência. Só recebe valor o tema com pelo menos dois projetos na mesma direção ou um projeto emblemático; os demais ficam sem posição. Essa fonte vale 90% no cálculo (votos valem 100%).
O quanto a posição do partido erra sobre a pessoa
A maior parte das candidaturas nunca votou em plenário nem entregou plano de governo. Sobre elas não existe ato próprio, e o que mostramos é como os deputados do partido votaram. Medimos o tamanho do erro disso dentro dos nossos próprios dados e publicamos aqui, porque quem lê tem direito de saber.
Como medimos: pegamos os 643 deputados federais em exercício que têm posição própria calculada pelo voto, e testamos se a bancada do partido sem aquele deputado acertaria a posição dele. É a mesma situação de uma candidatura nova: a bancada existe, a pessoa não está nela.
- O erro médio é de 0,47 numa escala que vai de -2 a +2, ou seja, um oitavo da régua inteira.
- Ignorar o partido e chutar a média de todo o Congresso erraria 0,99. O partido corta o erro pela metade, mas não o elimina.
- Em cerca de 1 caso em cada 9 a bancada aponta um lado e a pessoa, quando se pode conferir, está no outro. É o erro que mais engana, e é por isso que só dizemos de que lado o partido está quando a bancada inteira está de um lado só.
- Em 22% dos casos a posição do partido erra mais do que não usar partido nenhum.
Duas consequências no cálculo, para que o número na tela não valha mais do que merece:
- Medimos a distância até cada deputado da bancada, um por um, e não até um ponto médio que pode não descrever ninguém. Partido unido continua rendendo afinidade alta; partido rachado não consegue afinidade alta em tema nenhum.
- Tema sem informação continua contando, como desconhecimento. Sem isso, quem tem menos dado disponível subiria no ranking só por ter menos como discordar de você.
Partidos sem bancada: qual documento foi lido
4. A afinidade
Para cada tema em que o candidato tem posição, calculamos a distância até a sua posição (de 0 a 4) e ponderamos pelo peso que você deu. Afinidade = 100% menos a distância média ponderada. Dois ajustes de honestidade: (a) medimos que, no Congresso, os cinco temas econômico-sociais votam juntos e os três de valores votam juntos, então cada bloco entra com peso base igual, para o bloco maior não dominar só por ter mais temas; (b) uma posição só é "verificada" com pelo menos 5 votações no tema ou com o plano de governo; com menos votos ela é "indício" e vale 75%; a estimativa pelo partido, seja pela média da bancada, seja pelo programa oficial, vale 50%. O ranking mostra primeiro quem tem posição verificada em pelo menos três temas, depois quem tem histórico parcial, depois estimativas.
5. O que a ferramenta não faz
- Não recomenda voto nem diz que um candidato é melhor que outro. Mede distância de opiniões, só isso.
- Não avalia honestidade, competência, presença ou gastos de gabinete. Esses dados existem nas mesmas fontes e podem entrar em versões futuras.
- Não usa discursos, redes sociais ou notícias. Apenas votos registrados e documentos oficiais.
- Não recebe apoio de candidatos, partidos ou campanhas.
6. Privacidade
Suas respostas ficam apenas no seu navegador (sessionStorage) e são apagadas quando você fecha a aba. Nenhuma resposta, resultado ou identificação é enviada a qualquer servidor. O site não usa cookies de rastreamento nem ferramentas de análise que identifiquem o visitante. Opinião política é dado pessoal sensível pela LGPD, e a forma mais segura de proteger é não coletar.
7. Fontes e atualização
8. Limitações conhecidas
- A classificação automática de votações pode errar em casos individuais. Cada evidência é exibida para que o leitor confira.
- Quem votou pouco (suplentes, licenciados) tem posição menos confiável; o número de votações considerado é mostrado em cada tema.
- A situação de registro (deferido, aguardando julgamento, indeferido com recurso) muda até a véspera da eleição. Confira no TSE.
- Candidatos que trocaram de partido são avaliados pelos próprios votos, não pelo partido atual.